Argentina vence Nigéria por 1 a 0 com boa atuação de MessiApesar da vitória sul-americana, goleiro Eneyama da Nigéria é escolhido melhor jogador da partida 12/06/2010 - globoesporte.com
Messi parte para o ataque: o camisa 10 teve várias chances de gol, mas esbarrou no goleiro Agência AFP À beira do campo, Diego Maradona seguiu o conselho das filhas e estreou como técnico em Copas do Mundo envergando um impecável terno cinza para enfrentar a Nigéria. Em volta dele, a torcida argentina deu um trato no visual do estádio Ellis Park e carregou suas bandeiras para as arquibancadas, como se estivesse na Bombonera. Dentro de campo, os comandados de Don Diego também jogaram como manda o figurino: Messi chamou a responsabilidade e fez o time jogar para frente. O placar magro de 1 a 0 não chegou a empolgar, mas no fim das contas deu para ficar bem na foto. Cercado de expectativa antes da Copa, Messi teve uma das suas melhores atuações com a camisa da Argentina, mas não conseguiu vencer a batalha com o goleiro Enyeama, que fechou as portas para o craque e foi escolhido pela Fifa como o melhor em campo. O gol dos hermanos saiu numa cabeçada de Heinze, aos seis minutos do primeiro tempo. A Argentina volta aos gramados no dia 17, no Soccer City, para enfrentar a Coreia do Sul. No mesmo dia, a Nigéria pega a Grécia. Argentinos e sul-coreanos lideram o grupo B com três pontos cada. Gregos e nigerianos não pontuaram na primeira rodada. O jogo Apesar de ficar no bairro de Hillbrow, com grande concentração de nigerianos, o Ellis Park ganhou ares de Bombonera antes da partida deste sábado. Os argentinos dividiram as arquibancadas meio a meio e, apesar do barulho das vuvuzelas, cantaram e balançaram suas bandeiras como se estivessem em casa. Até as faixas em homenagem a Maradona estavam lá. A diferença é que, em Buenos Aires, o ídolo maior do país costuma ficar no camarote do estádio com a camisa do Boca Juniors. Desta vez, ele estava à beira do campo, com ares de professor e um elegante terno cinza. Antes de a bola rolar, foi até o limite da torcida e, de longe, mandou beijos para o neto. Ganhou o mimo de volta e, aí sim, estava pronto para o início da Copa do Mundo. O rival era a mesma Nigéria que estava do outro lado do campo no último jogo do Maradona jogador em Copas, em 1994. O placar daquele confronto também apertado - 2 a 1 -, mas o magro 1 a 0 deste sábado na África do Sul não diz exatamente o que foi o jogo. Dentro das quatro linhas, a Argentina não demorou muito para mostrar seu cartão de visitas. Criticado por não brilhar tanto com a camisa da seleção como faz no Barcelona, Messi abriu os trabalhos logo aos cinco minutos, costurando entre quatro defensores nigerianos para deixar Higuaín na cara do gol. Na pequena área, o atacante do Real Madrid jogou a chance para fora. Em seguida, começou o duelo entre Messi e o goleiro Enyeama. No primeiro round, o craque bateu de fora da área, mas não conseguiu vencer o rival, que espalmou para escanteio. Na cobrança de Verón, uma pausa no duelo: cabeçada certeira de Heinze e rede estufada pela primeira e única vez: Argentina 1 a 0. No agarra-agarra dentro da área, Samuel se encarregou de conter Obasi, e o lateral-esquerdo ficou livre para concluir. Odiah ainda tentou salvar embaixo da trave, mas o esforço foi inútil. Quando a torcida explodiu nas arquibancadas do Ellis Park, Maradona virou para trás, apontou para os jogadores reservas e vibrou de forma intensa pela primeira vez na Copa. O domínio argentino continuou, mas Higuaín não conseguia esticar a euforia do comandante. Aos 21, ele recebeu lindo passe de Tevez e chutou em cima do goleiro. A Nigéria só assustou aos 27, quando Obasi aproveitou falha de Jonás Gutiérrez na marcação e, solto na área, mandou para fora. Era hora de retomar o duelo Messi x Enyeama. “A Pulga” quase marcou aos 36, quando deu um corte no zagueiro e, de perna esquerda, obrigou o goleiro a fazer a melhor defesa do primeiro tempo, de mão trocada, mandando a escanteio. Verón ainda bateu uma falta por cima do travessão, e veio o intervalo. Antes da saída para o vestiário, os jogadores nigerianos se reuniram no meio do campo, em volta de Enyeama, ajoelhado. O ritual se repetiu no retorno para o segundo tempo. Mais equilíbrio no segundo tempo Apesar da corrente da equipe africana, quem voltou a assustar foi a Argentina. Logo aos três minutos, Messi desviou um cruzamento com o pé esquerdo e quase marcou. O técnico sueco Lars Lagerback tirou Obinna e mandou a campo Martins, que era titular da equipe. Obasi também saiu e deu lugar a Odemwingie. As mudanças surtiram efeito, a Nigéria se engraçou, e a torcida veio junto, soprando as vuvuzelas. A Argentina respondeu em dose dupla a partir dos 20 minutos. Primeiro, num contra-ataque, Messi recebeu passe de Tevez e bateu para fora. Logo depois, Higuaín chutou para mais uma defesa de Enyeama. Taiwo assustou os hermanos com uma bomba de fora da área aos 26 minutos. A bola passou raspando a trave de Romero, e o nigeriano sentiu uma lesão na perna esquerda. O susto foi o sinal para Maradona chamar Maxi Rodriguez e lançá-lo no lugar de Verón. Diego Milito também foi a campo, substituindo Higuaín aos 32. Martins ainda deu outro susto em Romero, com um chute forte frontal que o argentino rebateu. Mas a resposta de Messi foi imediata. O craque tabelou com Di Maria e saiu na cara de goleiro. Perdeu mais um round para Eyenama. Uche também desperdiçou cara a cara, e o jogo ficou aberto nos minutos finais. Aos 41, Maradona recuou o time para garantir o resultado: Burdisso entrou no lugar de Di Maria. Messi ainda teve a última chance, em mais uma tabela bem tramada com Milito, mas o zagueiro chegou a tempo de colocar para escanteio. Sem problemas. Àquela altura, Maradona já olhava para seus dois relógios - um em cada pulso - e aguardava o fim do jogo. O técnico e seu craque já tinham feito o bastante para que a seleção ficasse bem na fotografia.
Publicado em 2010-06-14
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