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Brasil precisa estar pronto para 'pressão gigante', diz Parreira

"Viemos de duas derrotas nas Copas de 2006 e 2010, e pode ter certeza que a pressão vai ser muito grande sobre a seleção. Será uma responsabilidade enorme"

19/08/2010 - Estadão.com / Rodrigo Viga Gaier

Parreira

O Brasil vai precisar de um forte trabalho psicológico nos próximos anos para conseguir superar uma enorme cobrança e então conquistar a Copa do Mundo de 2014 que será realizada no país, afirmou o ex-técnico da seleção Carlos Alberto Parreira.

Campeão mundial em 1994, Parreira sentiu na pele a pressão por um título e sabe o tamanho da carga que a equipe canarinho vai ter de enfrentar no primeiro Mundial realizado em casa desde 1950, quando acabou derrotada de forma inesperada na final contra o Uruguai.

"Viremos de duas derrotas nas Copas de 2006 e 2010, e pode ter certeza que a pressão vai ser muito grande sobre a seleção. Será uma responsabilidade enorme", disse o treinador a Reuters. Ele está cotado para assumir uma posição na comissão técnica de Mano Menezes.

Tal preocupação também foi manifestada pelo próprio Mano Menezes, que afirmou logo após sua apresentação que pretende contratar um psicólogo para trabalhar a seu lado.

Renovação

Parreira pontuou ainda outros agravantes que tornam a trajetória até 2014 mais difícil. Ele destacou que o Brasil passa por uma renovação radical após os fracassos no últimos dois Mundiais, e lembrou que o jejum de títulos mundiais já será de 12 anos quando o país receber o Mundial.

"Fomos os únicos dos campeões a perder um Mundial em casa. Depois de dois fracassos em Mundial a renovação é quase um imposição para o treinador. Sempre abre-se um novo ciclo quando você perde", disse Parreira, que está de férias no país após ter treinado a África do Sul no Mundial deste ano realizado no país africano.

Era Mano

Parreira, que estava à frente da Seleção na derrota para a França nas quartas de final da Copa de 2006, elogiou a estreia de Mano Menezes no comando da seleção, a vitória por 2 x 0 sobre os Estados Unidos na semana passada

Com jovens como Neymar, Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato, a equipe mostrou um futebol ofensivo que o público e a mídia cobravam da equipe treinada por Dunga que perdeu para a Holanda no Mundial do mês passado.

"Apesar de jovens, são jogadores titulares na principais equipe do Brasil e no mundo. Tem agora, que dar rodagem ao time", acrescentou o treinador, que, no entanto, ainda vê espaço no atual time para nomes que estiveram na última Copa, como Kaká, Robinho, Daniel Alves, Ramires e Thiago Silva.

Eliminatórias

Outra dificuldade na caminhada até 2014, de acordo com Parreira, é o fato da seleção não participar das próximas eliminatórias, uma vez que é o país sede da Copa.

"No começo do meu trabalho, era contra as eliminatórias por conta da dificuldade e pelo desgaste. Depois mudei de opinião e achei que eles eram essenciais", afirmou Parreira.

Segundo o treinador, o Brasil vai ter que aproveitar muito bem as oportunidades como a Copa América da Argentina, no ano que vem, e a Copa das Confederações, em 2013, no Brasil.

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