Copa começa com festa e empate dos anfitriõesNo Soccer City tomado por 84.490 torcedores, donos da casa abrem o placar com golaço de Tshabalala, mas visitantes reagem e fecham em 1 a 1
AFP Foi o roteiro perfeito em uma tarde destinada a entrar para a história. Com o Soccer City apinhado de gente, a África do Sul abriu sua Copa do Mundo com uma festa barulhenta e comovente. Nem a ausência de Nelson Mandela, por causa da morte de sua bisneta em um acidente de carro no dia 10, reduziu o clima de euforia no estádio, como se cada um dos 84.490 torcedores tivesse a dimensão exata do que estava acontecendo no gramado. Dez minutos antes do início da partida, o microfone foi para as mãos dos presidentes: o da África do Sul, Jacob Zuma, e o da Fifa, Joseph Blatter, que deram as boas vindas ao público e citaram o “espírito de Nelson Mandela”. Na hora dos hinos nacionais, o placar eletrônico do estádio pediu respeito – “Quiet, please” – e as vuvuzelas silenciaram. Por pouco tempo. Eram 16h05m no país da Copa (11h05m no Brasil) quando o México deu a saída e a Jabulani finalmente rolou. A partir daí, o barulho não deu mais trégua. A partida
Editoria de Arte / globoesporte.com A arquibancada eufórica contrastou com um primeiro tempo morno dentro de campo. Aos 18 minutos, Juárez ganhou de presente o primeiro cartão amarelo da Copa, ao cortar um lançamento com o braço e retardar a cobrança. Os mexicanos jogavam melhor, principalmente pelo lado direito, aproveitando a avenida deixada pelo lateral-direito Thwala. Aos 26, Dikgacoi igualou a disputa dos cartões ao derrubar Giovani, que costurava pelo meio. O lance mais bonito do primeiro tempo veio aos 31, quando Franco recebeu belo lançamento de Vela, matou no peito no meio da área e concluiu para mais uma defesa de Khune. Com a pressão asteca, Vela finalmente conseguiu marcar, mas o gol foi bem anulado. O atacante tinha Mphela à sua frente, mas o goleiro tinha saído para tentar o corte do cruzamento. O próprio Vela criou mais uma chance aos 33, Giovani teve a sua aos 36, e Franco repetiu a dose aos 40. Os jogadores foram para o vestiário. Nada de gol. Parreira tirou o inoperante Thwala e lançou Masisela, que era titular da lateral esquerda. O jogo voltou ainda fraco no segundo tempo até que, aos 10 minutos, o Soccer City explodiu. Após uma roubada de bola no meio de campo, a África do Sul trocou passes rápidos, e Mphela ligou o contra-ataque com um lindo lançamento rasteiro para Tshabalala. Ele entrou nas costas da zaga e, de pé esquerdo, deu uma pancada forte na Jabulani. Obediente, a bola foi morrer no ângulo de Perez. África do Sul 1 a 0, Parreira vibrando no banco, loucura nas arquibancadas. Após marcar o primeiro gol da Copa, Tshabalala convidou os companheiros de time para uma dancinha à beira do campo e, em seguida, aplaudiu em direção às arquibancadas. A resposta veio com as vuvuzelas a todo vapor, público de pé e o som do "Shosholoza", hino da torcida. Aos 23, o técnico Javier Aguirre mandou a campo o veterano Blanco, no lugar de Vela. Logo depois Modise entrou na área, e Rodriguez o deslocou com o braço esquerdo. Pênalti para os donos da casa, ignorado pelo juiz Ravshan Irmatov. Masilela, que tinha entrado no intervalo, levou cartão amarelo por falta violenta. E com 28 minutos o México fez sua terceira alteração: Hernández, de 22 anos, substituiu Franco. Aos 34 minutos, as vuvuzelas se calaram pela primeira vez. Guardado cruzou da esquerda, e a bola passou por todo mundo até chegar aos pés de Rafa Márquez. Ele dominou no bico da pequena área e soltou de pé direito uma bomba indefensável, mergulhando o Soccer City em impensável silêncio. O choque sul-africano durou apenas três minutos, e as cornetas voltaram a todo vapor. O craque Pienaar, que participava de todas as ações ofensivas do time de Parreira, cansou. A dez minutos do fim, o técnico brasileiro optou por mandar a equipe à frente: tirou o meia e lançou o atacante Parker. Quase deu certo. Aos 44, Mphela teve a chance de fazer o estádio explodir novamente, mas concluiu no pé da trave, deixando o grito de gol engasgado nos torcedores. Era o fim de uma tarde especial no Soccer City. E só o começo de uma Copa do Mundo histórica. Próximos confrontos A África do Sul volta a campo no dia 16, às 15h30m (de Brasília), para enfrentar o Uruguai pela segunda rodada. No dia seguinte, o México pega a França, no mesmo horário. Rafael Pirrho e Thiago Dias / globoesporte.com
Publicado em 2010-06-11
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