O mais apaixonante clássico do mundoNo próximo dia 5, o Brasil enfrenta a Argentina na cidade de Rosário, jogo válido pelas eliminatórias da Copa 2010. É mais uma página na incrível e apaixonante história desse clássico.
Newton César de Oliveira Santos Quando se enfrentam, as Seleções de Brasil e Argentina levam a campo uma rivalidade quase centenária, que inclui mais de 90 jogos oficiais e, invariavelmente, alguns dos autênticos representantes das duas mais tradicionais, vencedoras e admiradas escolas de futebol do mundo. É mais do que um jogo. Trata-se de um confronto regional, do Cone Sul do continente americano, que ganhou projeção planetária à medida que grandes jogadores de ambas as partes foram surgindo, partidas memoráveis foram sendo realizadas e conquistas heróicas foram se sucedendo – isso diante dos olhos dos apaixonados por futebol ao longo de décadas. E o que significa o adversário para cada um dos selecionados? Para a Seleção Argentina, não há rival que a tenha vencido mais vezes (36 partidas até 2008). E nem oponente a quem não tenha conseguido superar durante tanto tempo (13 anos sem vitórias entre 1970 e 1983). Além, disso, somente o Brasil tem três jogadores que conseguiram anotar três gols em uma mesma partida contra os argentinos (Pelé, Rivaldo e Ronaldo). Por sua vez, os argentinos são os únicos que conseguiram vir ao Brasil e golear o selecionado local em várias oportunidades (5 x 1 em 1939, 3 x 0 em 1940 e em 1964). Estabeleceram tabus marcantes (34 anos sem vitórias brasileiras em Campeonatos Sul-Americanos, entre 1922 e 1956; e 20 anos sem conseguir bater os adversários em Buenos Aires, entre 1940 e 1960). E somam quatro os jogadores argentinos que anotaram três gols em quadros brasileiros em uma mesma partida (Manuel Seoane, Carlos Peucelle, Norberto ‘Tucho’ Méndez e José Sanfilippo). Pelé, considerado o maior jogador da história, disputou dez partidas contra a Argentina e amargou quatro derrotas (para nenhuma outra nação ele perdeu tantas vezes). Mas venceu quatro jogos e anotou oito gols nos grandes rivais. Maradona, grande nome argentino que costuma ser comparado (e se comparar) a Pelé, tem retrospecto inferior em relação ao Brasil: em seis partidas, perdeu três, empatou duas e venceu apenas uma (a da Copa do Mundo de 1990). E marcou apenas um tento. O jogador que mais vezes enfrentou a Seleção Brasileira é um argentino: Javier Zanetti, com 14 partidas (deverá chagar a 15 na partida do dia 5 de setembro). E o atleta que mais vezes disputou jogos contra a Seleção Argentina é um brasileiro: Cafu, com 13 atuações. E por aí seguem as comparações e paralelos entre os dois selecionados... O desenrolar dos confrontos e do relacionamento entre as duas nações pode ser definida na frase que um sociólogo argentino, Pablo Alabarces, teria escutado de um amigo: “Os argentinos odeiam amar os brasileiros, e os brasileiros amam odiar os argentinos”. Essa pode ser a síntese do sentimento que envolve os dois povos, que no futebol se expressa pela intensa rivalidade, Mas que, no fundo, de certa maneira mascara e encobre uma profunda admiração e respeito mútuos pela maneira como o outro leva a vida e trata uma bola de futebol. Newton César de Oliveira Santos é jornalista e autor do livro Brasil x Argentina - Histórias do Maior Clássico do Futebol Mundial
Publicado em 2009-08-31
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