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A imagem do dragão

A importância crucial dos voluntários nas Olimpíadas de Pequim.

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Num evento esportivo como as Olimpíadas ou a Copa do Mundo, o voluntário figura como reflexo de um ideal a ser transmitido ao público visitante. Os Jogos de Pequim deixaram isso nítido, apresentando ao mundo um voluntariado enérgico e jovem. Os milhares de estudantes surgiram não só como braços dos Jogos, mas também como seu rosto.

Com efeito, a “sorridente” massa de voluntários integrou um projeto estatal de reconstrução da imagem chinesa ante o cenário internacional. Essa nova identidade foi alicerçada no progresso experimentado pelo país nos últimos anos. A cerimônia de abertura foi emblemática ao transmitir esse vigor; traçou a História da China enfocando o potencial de sua civilização milenar e seu legado de invenções revolucionárias. O Ninho do Pássaro foi palco de quatro horas de glorificação da cultura chinesa.

Um dos escopos desse projeto foi combater a sacramentada efígie de autoritarismo do governo chinês. Os Jogos Olímpicos compuseram assim a engrenagem dessa empreitada para reformular a aura chinesa. Esse planejamento de grande magnitude transpareceu em toda Pequim. Bairros inteiros foram derrubados para serem substituídos por construções mais modernas e vistosas. Ademais, os trajetos percorridos pelos turistas tiveram ares refeitos com a plantação massiva de árvores (cerca de 40 milhões). Houve também restrições quanto ao fumo e ação das autoridades a fim de ordenar as caóticas filas de ônibus.

A preocupação em erigir uma imagem positiva deu-se igualmente no contato humano com os turistas. Uma vez que representam a interface de contato mais intensa com os espectadores visitantes, sua postura teve caráter decisivo no tear do evento. Assim, os voluntários surgiram como peça chave para injetar uma sensação de bem-estar e juventude na atmosfera olímpica. Para o BOCOG, Comitê Organizador dos Jogos de Pequim, os voluntários foram ícone de um “desenvolvimento pacífico”.

Em termos numéricos, o balanço do recrutamento chama a atenção. Ao todo, foram 1.700.000 pessoas atuando direta e indiretamente no evento, em uma ingente gama de funções. Esse contingente foi separado em quatro categorias entre elas “voluntários sociais” e animadores de torcida. Para a ação direta, a organização abriu cem mil vagas e, um mês depois do início das inscrições, nada menos que 200 mil chineses haviam se candidatado às vagas. Ao final do processo, mais de dois milhões de chineses candidataram. O furor para participar do evento se deu por uma imensa maioria de jovens (abaixo de 30 anos) de ensino médio e universidades, com preferência para moradores de Pequim.

Esse batalhão de vigorosos voluntários atuou na organização e fluidez do evento. Trabalharam como informantes nos 550 postos ou apenas cumprimentando os transeuntes, tencionando sempre polir a imagem chinesa. Também tiveram que assimilar a localização dos pontos nevrálgicos do evento, além dos horários de ônibus, noções de primeiros socorros, e claro, noções da História da China. Tais requisitos fizeram parte de intensivos treinamentos, com a meta de confluir para tecer uma imagem positiva das Olimpíadas de Pequim e de seu país sede.

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