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Confea e Crea realizam Audiência Pública da Copa de 2014

Evento em São Paulo reúne entidades, autoridades, políticos, especialistas e imprensa para discutir pontos-chave da organização do Mundial no Brasil

Por Mario Marinho

José Augusto Tadeu, Presidente do Crea; Orlando Silva, Ministro dos Esportes; e Gilberto Kassab, Prefeito de São Paulo

Cerca de mil pessoas lotaram o auditório do salão Simon Bolivar, do Memorial da América Latina, para participar da audiência pública que a Confea (Confederação Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) realizou em São Paulo, encerrando o ciclo de 12 debates, um em cada cidade-sede da Copa 2014.

O Ministro do Esporte, Orlando Silva, foi fortemente cobrado por causa do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), proposto pelo Governo, para as licitações de obras de infraestrutura e estádios do Mundial. A cobrança havia sido feita pelo presidente do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), José Tadeu da Silva, na abertura da audiência.

A atenta audiência composta por engenheiros, arquitetos, agronomistas, imprensa e pessoas interessadas na Copa 2014 teve um dia inteiro de esclarecimentos e pôde fazer perguntas aos palestrantes.

O presidente do Crea-SP abriu os trabalhos mostrando sua preocupação com os caminhos da Copa no Brasil. Principalmente a possibilidade do sigilo que está sendo discutido no Senado para a licitação das obras serão realizadas. “É preocupante uma legislação onde possa ser possível conjuntamente a contratação da execução do projeto básico e também do projeto executivo", disse Mello. "Do ponto de vista técnico isso pode levar a resultados indesejáveis e abre brecha para a corrupção."

O Presidente do Confea, Marco Túlio de Melo, mostrou a mesma preocupação e colocou o Confea, e todos os Creas, à disposição do Ministério para agir como agente fiscalizador.

O prefeito Gilberto Kassab também falou na cerimônia de abertura: "São Paulo está motivada com a possibilidade de sediar a abertura da Copa do Mundo. Já estamos fazendo um grande esforço para que isso ocorra".

Em seu esperado pronunciamento, o ministro Orlando Silva depois de afirmar ter comparecido à Audiência Pública de estréia, promovida pelo Confea em Brasília, estava muito feliz por participar do encerramento em São Paulo.

Quanto à preocupação sobre o possível sigilo sobre as licitações, respondeu: "Estão partindo de uma premissa completamente falsa que de não haverá transparência. Em todas as etapas do projeto os Tribunais de Conta, Ministério Público e Controladoria Geral da União terão acesso aos documentos."

No que diz respeito aos pregões eletrônicos, também criticados pelo presidente José Tadeu da Silva, do Crea, o Ministro respondeu: "Quando a Lei 8 666 foi sancionada, nem internet existia. O que estamos fazendo é modernizar o processo. Acreditamos que o pregão dará agilidade e qualidade."

O político foi duro ao defender o modelo atual: "O que queremos combater é o conluio entre as empresas, que não vão ter acesso às licitações e, portanto, não vão poder combinar preços. Orlando fez questão de explicar que a escolha por doze sedes se deve ao incremento do turismo. “Se unirmos com um traço as doze sedes, teremos o desenho do mapa do Brasil”.

Sobre a infraestrutura, alegou: “Precisamos ter em mente que esse não é um problema da Copa, mas, sim, do Brasil. O torneio vai antecipar soluções. Além disso, devemos ter em mente que profissionais treinados para o evento, em qualquer área, ficarão no Brasil. Eles também farão parte do legado.” E finalizou em grande estilo:
“Não podemos nos deixar levar pelos fracassomaníacos, como dizia o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso."

Após o aplaudido pronunciamento do Ministro, deu-se início aos painéis temáticos.

Painel 1 – Infraestrutura

Esse Painel teve a coordenação do engenheiro Joel Fernando Berin e as participações do engenheiro Pedro Benevuto, do Comitê Paulista para a Copa 2014; do professor Antônio Carlos Pereira, da Secretaria Especial de Articulação para a Copa; o arquiteto urbanista Jonas Maurício Lopes, da Infraero.

Foram elencados os motivos pelos quais o Brasil quer a Copa do Mundo:

  1. Promover o Brasil no Mundo
  2. Construir arenas de multiuso de porte internacional
  3. Gerar um forte saldo de qualidade de serviços
  4. Modernizar a infraestrutura do País.

Segundo os palestrantes, a Copa deverá gerar benefícios econômicos diretos da ordem de R$ 47 bilhões. Apresentaram-se também relatórios dando conta de que das 13 sedes, 10 já começaram suas obras.

As transparências utilizadas estão logo abaixo (clique nos linques para abri-las):

Painel 2 – Arena para a Copa Mobilidade Urbana

O Engenheiro Carlos Pereira Magalhães, supervisor do estádio do Corinthians, confirmou que as obras ficarão prontas a tempo da abertura da Copa do Mundo. E mais, que levarão progresso à Zona Leste, apontada hoje como a mais pobre de São Paulo.

“Será construído um pólo institucional que abrigará fórum, teatro, cinema, repartições públicas, parque aberto ao público, enfim, uma série melhorias de que a região é hoje carente. Haverá preservação do meio-ambiente; um coletor tronco será construído, assim como se fará a drenagem da região para evitar futuras enchentes.”, confirmou Carlos Pereira

O estádio terá uma filosofia inovadora, segundo o engenheiro: "A expectativa é que o torcedor fique mais tempo no estádio. Lá haverá praça de alimentação, lojas, fácil acessibilidade, enfim, queremos que o torcedor chegue bem antes do jogo e fique mais tempo depois, evitando-se, assim, que saiam todos de uma vez, provocando congestionamentos. Claro que tudo isso com a maior segurança."

O arquiteto urbanista Alberto Fasanaro Lauleta, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, apresentou uma série de transparências sobre o município de, sua população, a distribuição dessa população inclusive quanto à renda e, mais especificamente sobre Itaquera, mostrando os acessos atuais e futuros em direção ao estádio do Corinthians.

Veja no linque.

Painel 3 – Legado Físico, Institucional e Social.

O primeiro palestrante foi o Sr. Dan Epstein, diretor de 2077 a 2010 do Desenvolvimento de Revitalização e Sustentabilidade da Autoridade Pública Olímpica de Londres 2012.

Simpático e falante, Mr. Epstein mostrou um bairro de Londres, totalmente estagnado, foi recuperado, transformado num jardim que será o Parque Olímpico da Olimpíada de 2012.

Os primeiros slides mostram o bairro abrigando um lixão, um depósito de entulhos, seu córrego sem vida repleto de pneus de automóveis e uma pichação bem sintomática, onde se lia: “Policiais: não se aproximem ou morrerão”.

Todo o material proveniente das demolições foi reaproveitado nas novas construções. A preocupação ecológica foi total. "A construção da Vila Olímpica foi perfeita graças à vontade política. Sabemos, por exemplo, que o ginásio para handebol, com capacidade para 15 mil pessoas, seguindo a exigência do comitê Olímpico Internacional, jamais terá essa audiência nos anos seguintes. O que fazer então? Já está tudo planejado: ele será demolido e em seu lugar serão construídos apartamentos.", revelou o inglês.

Ao final de sua aplaudida explanação, Mr. Epstein se deu ao luxo de exibir o fino humor britânico: "Deveríamos ter entregado toda a obra em 2011. Mas, com empenho e fiscalização, entregamos tudo com um ano de antecedência. O resultado é que eu fiquei desempregado. Estou à disposição dos brasileiros."

No linque a seguir, as imagens apresentadas:

O Cônsul geral da África do Sul, Yusuf Omar, abriu sua palestra voltando aos meses que antecederam a copa 2010: "Faltavam poucos meses para começar a Copa e ainda ouvíamos noticiários internacionais colocando em dúvida a realização da Copa. Poucos acreditavam na nossa competência realizadora."

O Cônsul explicou que os estádios da Copa estão sendo adaptados à realidade sul-africana: "O estádio de Durban, por exemplo, que tem um arco por cima, virou atração turística, pois um veículo percorre aquele arco, possibilitando a magnífica visão de toda a cidade. E agora virou moda casar naquele arco."

Além disso, a África do Sul conseguiu instalar o transporte coletivo, acabando com a máfia do transporte que ficava nas mãos de uns poucos: "Treinamos mais de 40 mil policiais. Eles estão passando seus conhecimentos para frente. Esse é um legado importante e difícil de medir. O maior de todos, porém, é que conseguimos mostrar que o nosso País não é apenas um país de safáris."

Depois dos fortes aplausos ao Cônsul, veio a palestra da Secretaria Executiva do Comitê Paulista para a copa 2014, Raquel Verdenacci, que, com propriedade, tratou de estabelecer as diferenças entre uma Copa do Mundo e uma Olimpíada: "É fantástico o trabalho realizado em Londres. Porém, é bom lembrar que a Olimpíada se realiza numa cidade, a Copa do Mundo em um País. Portanto, não se pode exigir que o Brasil realize uma obra como esta. O Rio de Janeiro, sim, tem essa chance."

Raquel Verdenacci fez um apanhado das possibilidades paulistas, dos eventos que são realizados em São Paulo, da rede hoteleira, dos restaurantes, mas observou, com cuidado: "São Paulo está acostumado a eventos que trazem milhares de turistas, como a Fórmula-1 ou a Fórmula Indy; ou que trazem milhões, como a Parada Gay ou Marcha com Jesus. Portanto, fazer um evento que reunirá cerca de 70 mil pessoas como a abertura da Copa do Mundo é fichinha. Certo? Errado. A Copa exige um tratamento superespecial. Estaremos expostos para bilhões de telespectadores no mundo todo. É um outro tipo de trabalho, que requer um cuidado especial."

Raquel terminou sua exposição com uma frase forte: "Nada é mais intangível, porém nada é mais forte que o legado da imagem brasileira que ficará."

Abaixo as transparências apresentadas por Raquel Verdenacci, que foi muito aplaudida.

Painel 4 – Fiscalização e Controle Social.

Participaram o dr. Jefferson Aparecido Dias, Procurador Regional dos Direitos do Cidadão; dr. Francisco Alberto Peixoto da Motta Giordani, desembargador; engenheiro Paulo Rodrigues Leite, assessor técnico do TCE-São Paulo; Abílio Licínio dos Santos Silva, diretor técnico de Divisão; e o engenheiro Paulo Augusto Oliveira Itacarambi, diretor vice-presidente executivo do Instituto Ethos.

A preocupação dos palestrantes foi com a fiscalização financeira, trabalhista e social das obras que a Copa exigirá.Novamente, discutiu-se o sigilo nas licitações e orçamentos das obras.

Para o dr. Jefferson Aparecido Dias o princípio da publicidade é contra o sigilo. E mais: "Só a publicidade garante que os outros direitos estão sendo cumpridos. Não adianta existir uma lei se ninguém sabe se ela está sendo cumprida ou não. O ministério público não abrirá mão da fiscalização, nem aceitará a acusação de responsabilidade por qualquer atraso nas obras."

A Audiência Pública de São Paulo foi considerara um sucesso por todos os participantes - palestrantes ou ouvintes.

Para o presidente do Crea, engenheiro José Tadeu da Silva, o Confea, apoiado pelos Creas de todo o País, realizou a sua missão: "Os assuntos, as dúvidas, os questionamentos foram colocados na mesa. Fizemos as exigências que consideramos pertinentes. 

Agora, a bola da Copa está com o governo.


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