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Entrevista com Paula Hernandez, gerente de voluntariado do Pan

Paula Hernandez fala ao Universo sobre a importância dos voluntários em grandes eventos. Confira o resumo da entrevista.

voluntários.jpg É possível pensar a estrutura dos Jogos Pan-americanos ou de uma Copa do Mundo como um corpo humano. São inúmeras partes que, atuando em conjunto quase orgânico, asseguram a fluidez do evento. Para Paula Hernandez, Gerente de Voluntariado do COB e dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro 2007, os voluntários são peças nucleares para assegurar a “saúde” desse tipo de evento. 

Responsável por organizar todo o processo de recrutamento dos eventos tutelados pelo COB, Paula é auxiliada por uma numerosa equipe. Ao todo, a gerente conta com 50 pessoas, sendo que 30 delas já tiveram experiência como voluntários. Essa base humana atua desde o recrutamento, passando pela seleção, treinamento, tecnologia e atendimento dos candidatos. No Pan 2007, essa equipe lidou com a inscrição de nada menos que 80 mil candidatos.

A “máquina” de recrutamento

A grandeza da operação ficou nítida durante a entrevista. O campo de atuação dos voluntários foi numeroso; cerca de 1500 funções distribuídas, 300 delas só na Vila Olímpica. O centro de mídia foi um dos estandartes da magnitude do evento, com voluntários auxiliando a profusão de jornalistas e fotógrafos e os 50 computadores a disposição da mídia. 

Paula enalteceu igualmente a importância de todas as áreas do voluntariado. Para ela, não há áreas mais importantes que outras. A ausência de hierarquia impera, com todos os setores se configurando como essenciais para a consolidação do evento; desde o transporte ao receptivo no aeroporto, “É um trabalho de formiguinha” afirmou Paula.

Parcerias

Para viabilizar o projeto, as parcerias se destacaram como pilares centrais. A divulgação do recrutamento foi transmitida por meio de acordos com emissoras de televisão e rádio. Além disso, uma universidade particular forneceu mão-de-obra para as áreas de tecnologia e psicologia.

De um lado, o amparo tecnológico se fixou como um ponto nevrálgico na escolha dos voluntários já que as inscrições foram efetuadas pela Internet. O suporte informático foi primordial, sobretudo na seleção, através dos cruzamentos de perfis com vagas disponíveis. Para Hernandez, é preciso “diálogo” constante entre os sistemas de informações. O banco de dados figura assim como alicerce dessa máquina de triagem. Tal processo se deu de forma lenta (começando oito meses antes do Pan), pois era essencial conciliar as aptidões, as ocupações e o local de moradia dos candidatos a fim de facilitar a locomoção.
Por outro lado, as dinâmicas de grupo foram baseadas na procura de traços psicológicos específicos e foram conduzidas por estagiários de psicologia. O intuito foi detectar certas qualidades tidas como essenciais para um voluntário, tais como iniciativa, poder de decisão a adaptação à novidade. Além disso, o postulante a voluntário devia de certa forma incorporar a “alma” do evento, mostrando “empolgação, comprometimento e dedicação”.

O COB ainda firmou alianças com uma escola de inglês, a fim de medir o domínio de inglês e espanhol dos candidatos, e outro centro universitário que se encarregou do manual de treinamento.

A multiplicação dos voluntários  

Paula ainda ressaltou uma mudança na sociedade brasileira com o florescer de uma cultura de voluntariado após 2002. Desde então, a “mania” de se voluntariar começou a germinar, não somente nas grandes competições, mas também em eventos de menor porte. Hernandez também revelou a existência de uma onda de candidatos envoltos de uma certa euforia participativa, dispostos inclusive a pagar passagens para ir aos eventos e ansiosos pelo próximo evento.

Segundo a Gerente de Voluntariado, as experiências positivas como voluntários são transmitidas a parentes e amigos, irradiando o gosto pelo voluntariado. Ao apontar as motivações, ela não hesitou; ajudar, conhecer e participar. A procura pelas vagas inclui candidatos da terceira idade, interessados em variar suas atividades e se abrir para novas experiências.

2014 em foco

Visando a Copa do Mundo de 2014 e usando o Pan 2007 como referência, Hernandez foi enfática ao tratar da necessidade de se planejar o evento com antecedência. Construir uma base, aos poucos, e conduzir com calma a organização foram alguns dos conselhos da Gerente de Voluntariado do COB. Para exemplificar, citou as intempéries que enfrenta ao longo dos recrutamentos; ela conta de 10 a 20% de desistência dos candidatos.

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