Entrevista -
Yusuf Oma
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Yusuf Omar nasceu e
foi educado em Joanesburgo, África do Sul. Ele é casado com Chenise
Omar e é pai de três filhos. Antes de se tornar Cônsul Geral da
África do Sul em São Paulo, Omar representou seu país em Chicago
(EUA) e Dubai. Além disso, ele foi o responsável por dirigir o
Departamento de Trocas Industriais e o Plano de Estímulos a
Investimentos em Gana, Etiópia, Egito, Costa do Marfim e todo o
Oriente Médio. O Cônsul também integrou a luta contra o apartheid,
atuando com capitães na comunidade de Roodepoort, que apoiava regime
racista. Hoje em dia, Omar cuida da promoção da Agenda Africana e
do estreitamento de trocas bilaterais e promoção da África do Sul
como economia crescente. Entre as paixões do Cônsul está a
defesa dos diretos humanos (com foco na condição feminina) e o
próprio futebol. Aliás, seu time de futebol favorito é o Brasil.
Quantos turistas são
esperados durante a Copa 2010?
O intuito é receber três
milhões de turistas a mais durante 2010, incrementando o volume
total para 10 milhões no ano.
E quantos empregos
foram criados com as preparações?
Os preparativos já
criaram 24.000 novos postos de trabalho.
"Queremos mudar uma
coisa: África do Sul não é só flora e fauna. Tem muito mais. As
visões vão mudar antes que percebamos do que ela é capaz."
Qual será o impacto
da Copa na economia da África do Sul?
A Copa de 2010 é a
oportunidade de acelerar o crescimento e desenvolvimento, mostrar o
pais e o continente ao mundo, estimulando novos empreendimentos.
Quanto a África do
Sul está investindo na infra-estrutura? Quais os setores
privilegiados?
O governo se comprometeu
com investimentos em logística e comunicação que serão
necessários para assegurar a primeira Copa da África. A
contribuição total até agora para infra-estrutura e estádios é
de 17,4 bilhões de randes (US$2, 24 bilhões). Dentre essa quantia:
R9 bilhões irão para infra-estrutura e R8,4 bilhões para
construção de cinco estádios e reforma de mais cinco. Tais
quantias são parte de um programa muito mais amplo que começou em
2006 e acabará em 2010. Durante esse tempo, o governo estará
investindo mais de 400 bilhões de randes (57 bilhões de dólares)
na infra-estrutura.
Considerando a crise que está
devastando a economia mundial, como a África do Sul está lidando com a falta de
crédito e investimentos?
O primeiro [aspecto], é claro, é o que
fazemos em um nível macro da economia, como em qualquer outra, o que
fazemos para amortecer os efeitos das trocas exteriores. (...) Dizer
que não haverá efeitos não seria verdade. Mas, felizmente, devido
à nossa administração, os efeitos não serão tão ruins.
Claro, se isso continuar por um longo
período, [a crise] poderá causar problemas. Contudo, quando se
trata dos fundos da Copa, da visão do governo, tudo é dirigido pelo
Tesouro Nacional. E a maioria dos fundos já foram dedicados. (...)
foi um processo muito específico de como o dinheiro seria gasto.
Eles estabeleceram uma estrutura, um plano e um anteprojeto para
preencher os requerimentos da FIFA.
E se houver uma falta de recursos?
Eles virão de fontes privadas?
Eles virão das reservas do governo,
já que o código da FIFA em relação ao setor privado é muito
restrito. O financiamento tem diferentes origens; a governamental, a
provincial, como no Brasil, e a local (cidades). A África do Sul
produz seu próprio material quando se trata de construção. Não
temos de importar aço e concreto.
Como as autoridades
estão vendo o evento do ponto de vista comercial?
Negócios mais volumosos,
especialmente no sistema financeiro, tendem a se beneficiar com a
Copa. (...) O governo ainda planeja maior intervenção no setor
informal, com diversos negócios levados por grupos historicamente
marginalizados. Esse setor desempenha um papel importante, ainda que não-oficial, na economia.
Os trabalhos estão dentro do
prazo?
Absolutamente. Há inclusive cidades
avançadas no cronograma. Aquelas que ficaram para trás foram
assistidas pelo estado nacional. O governo teve uma lista de 17
obrigações e completou todas. Quando se trata das operações
atuais, a melhor medida que temos é a avaliação da FIFA em
setembro de 2007. Ela provou que estamos no caminho certo.
"África do Sul é vista como – não
queremos soar arrogantes – uma nação líder no continente."
Como a África do Sul vai gerir a
questão energética? Combustíveis “verdes”, por exemplo?
Quando se fala de assuntos ambientais,
a África do Sul é uma das líderes mundiais. Por exemplo, no começo
do ano 2000, fomos um dos primeiros a fabricar sacos plásticos
biodegradáveis. (...) Ano passado, nós descobrimos que a nossa
demanda de eletricidade extrapola o que nós podemos fornecer. Uma
parte disso está relacionada ao planejamento, mas encaramos isso por
uma outra perspectiva; nós nos desenvolvemos tão rápido e tão bem
que a indústria ultrapassou a carga energética. Se você quiser ver
o lado positivo disso, quando essas crises te atingirem, você
aprende. Você deve se adaptar. Então sim, energia solar sim. Também
estamos usando tecnologia verde na implementação de energias
alternativas (eólica).
Considerando o panorama
internacional, o que mudou na imagem sul-africana?
Nós só temos 14 anos de idade, como
um jovem adolescente. Quando nós começamos o novo governo [após o
apartheid], não possuíamos nenhuma reserva [financeira]; tínhamos
um déficit. O apartheid quebrou nossa economia completamente. Agora
nós temos reservas. (...) Crescemos entre 3 e 5% ao ano. (...) O
país também sedia o Parlamento da União Africana. (...) Então, de
um ponto de vista africano, a África do Sul é vista como – não
queremos soar arrogantes – uma nação líder no continente. Uma
nação muito envolvida com a manutenção da paz. (...). O aspecto
mais importante é nossa estabilidade, como fizemos uma transição
pacifica entre o antigo regime e o novo.
Para um país que vai sediar a Copa,
somente o fato de executá-la com sucesso já diz muito. (...). É um voto
de confiança. Portanto, a exposição do país vai alavancar ainda
mais nossa imagem (...). A percepção da África do Sul [pelo mundo]
é distorcida; mas todos que a visitam ficam surpresos. O que eles
imaginam é completamente diferente da realidade. Ela é muito
melhor. (...) Com isso, em termos de ideais, queremos mudar uma
coisa: a África do Sul não é só flora e fauna. Tem muito mais. As
visões vão mudar antes que percebamos do que ela é capaz.
[Outro ponto] muito importante (...).
Estamos sediando uma Copa do Mundo, porém seria muito irresponsável
erguer tudo apenas para o evento. (...) [Para crescer] estamos
incrementando [a infra-estrutura], não só reconstruindo. No
turismo, por exemplo, temos o Blue Train. É um hotel de cinco
estrelas. (...) Nossa malha ferroviária é fantástica, nossa
infra-estrutura também. Então quando gastamos na infra-estrutura,
visamos aumentar nossa oferta de energia, aprofundar nossos portos,
permitindo a entrada de navios maiores.