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Morumbi está fora, mas São Paulo luta por abertura em 2014

Clube paulistano não consegue dar garantias financeiras à Fifa e é vetado; comitê brasileiro se reúne para pensar em alternativas

16/06/2010 - Jamil Chade / O Estado de S.Paulo

Projeção

A Fifa indica que, apesar de excluir o Morumbi da Copa de 2014, mantém a cidade de São Paulo como uma das principais sedes e sua cúpula continua apostando na capital paulista como local de abertura do próximo Mundial. A entidade vai negociar uma alternativa com a Prefeitura de São Paulo. "Isso não é uma questão que vá afetar a Copa de 2014 e suas sedes", garantiu ao Estado o presidente da Fifa, Joseph Blatter.

A entidade alertou que nenhum dos cinco projetos enviados anteriormente pelo São Paulo estava dentro dos modelos exigidos e que sequer considerou o último e sexto projeto, apresentado há poucos dias. No fim das contas, a falta de garantias financeiras levou a Fifa a abandonar a ideia de usar o estádio.

Na Fifa, não há qualquer interesse em realizar uma Copa no Brasil que exclua a cidade de São Paulo dos principais jogos, como a abertura e uma das semifinais. Baseada em contratos milionários de patrocinadores e tendo visto o caos para a chegada de turistas na África do Sul, a entidade quer que 2014 seja uma copa "acessível" aos estrangeiros e financeiramente interessante aos patrocinadores.

"A Fifa e o Comitê Organizador Local vão realizar novas discussões com a cidade de São Paulo", afirmou um comunicado da entidade. Em sua explicação oficial, a Fifa indicou que o Comitê da Cidade de São Paulo não entregou garantias financeiras para a aprovação do projeto do Morumbi dentro do prazo estabelecido (14 de maio).

Segundo a entidade, o São Paulo enviou um sexto projeto de reforma do estádio. "Mas não será avaliado, já que foi recebido bem depois do prazo", indicou o comunicado. "Portanto, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, conhecido como Morumbi, está excluído da Copa do Mundo da Fifa de 2014", selou a entidade.

Bastidores. Há uma semana, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, se recusou a responder perguntas sobre o Morumbi e garantiu que o tema só seria discutido após a Copa. Mas o Estado revelou que não era isso o que ocorria nos bastidores. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, deu garantias à Fifa de que o governo federal bancaria parte da construção dos estádios e, há uma semana, o comitê da Fifa que lida com competições "suspendeu" o Morumbi. Ontem, a exclusão foi selada.

"Eles (representantes do São Paulo F.C) estavam loucos com suas exigências e táticas", disse ao Estado o membro do Comitê Executivo da Fifa, Rafael Salguero. A direção da Fifa não aguentava mais a novela. O tema desgastou a relação entre a entidade e os organizadores brasileiros e Valcke chegou a temer que sua imagem no Brasil ficasse arranhada. A partir de setembro, a Fifa vai estabelecer um escritório no Rio, com um custo de US$ 16 milhões.

Issa Hayatou, vice-presidente da Fifa, confirmou ao Estado que o Brasil precisará tirar lições da África do Sul. "Não podemos ter ilusões. Essa Copa não tem sido perfeita e o Brasil precisa tirar lições disso", disse.

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